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Por: Rádio Plenitude
Uma operação deflagrada pela Polícia Federal (PF) no final de junho de 2026, batizada de Operação Miragem, lançou um holofote sobre o Banco Digimais, instituição financeira controlada pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). As investigações apontam para um suposto esquema de fraudes contra o Sistema Financeiro Nacional, gerando uma onda de questionamentos sobre a gestão do banco e as ramificações para o vasto império financeiro e religioso de Macedo.
A Operação Miragem, realizada em 23 de junho de 2026, cumpriu nove mandados de busca e apreensão em São Paulo e resultou no bloqueio de até R$ 670,3 milhões em bens e valores dos investigados. A Polícia Federal, com base em relatórios do Banco Central do Brasil, suspeita que o Banco Digimais tenha manipulado sistematicamente seus balanços e resultados contábeis. O objetivo seria ocultar a real situação econômico-financeira da instituição, aparentar solvência perante os órgãos de controle e viabilizar operações supostamente irregulares.
As apurações indicam que a prática permitiu a supervalorização de ativos e a geração artificial de receitas. Além disso, a PF investiga operações financeiras supostamente ilegais realizadas em benefício da empresa controladora do banco, bem como a possível falsificação e manipulação de informações inseridas em sistemas oficiais de registro. Fontes da investigação revelaram que o Digimais teria adotado uma estratégia de crédito temerária, comprando títulos de valor ínfimo e, em seguida, aumentando artificialmente o valor desses papéis em seus balanços, criando uma falsa impressão de solvência para evitar a liquidação pelo Banco Central.
Entre os alvos das buscas estariam dirigentes do Digimais, como o bispo João Urbaneja, homem de confiança de Edir Macedo e ex-presidente do banco, e seu filho, Thiago Urbaneja. O próprio Edir Macedo, que reside fora do Brasil, não foi alvo de mandados de busca e apreensão, mas foi incluído no pedido de sequestro e bloqueio de bens e valores, além da quebra de sigilo bancário e fiscal, por ser apontado como responsável pelas decisões estratégicas da instituição.
A ligação de Edir Macedo com o Banco Digimais remonta a 2009, quando ele adquiriu 40% do então Banco Renner. A aquisição integral ocorreu em 2020, momento em que a instituição foi reestruturada para atuar como um banco digital e renomeada para Digimais. Macedo, por meio de uma holding vinculada ao Grupo Record, assumiu o controle total, indicando pessoas próximas à Igreja Universal para posições de liderança, como o bispo João Luiz Urbaneja.
O banco, no entanto, enfrentou dificuldades financeiras, necessitando de um aporte de capital no início de 2026 para cumprir exigências regulatórias. Macedo chegou a buscar a venda do Digimais, fechando um acordo preliminar com o BTG Pactual, que, segundo fontes, teve suas chances de conclusão drasticamente reduzidas após a deflagração da Operação Miragem.
A Igreja Universal, em comunicado, afirmou que Macedo não faz parte da administração do Digimais, e que a condução das atividades é de responsabilidade exclusiva dos executivos. No entanto, a investigação da PF sugere o contrário, apontando Macedo como figura central nas decisões estratégicas.
Edir Macedo, de 81 anos, construiu um vasto império que transcende a esfera religiosa. Além da Igreja Universal do Reino de Deus, que em 2021 contava com uma estimativa de 10 milhões de fiéis globalmente (7 milhões no Brasil), ele controla o Grupo Record, a segunda maior rede de televisão do país. A Record, adquirida por Macedo no final dos anos 1980, registrou R$ 4,3 bilhões em receita no ano passado e, embora tenha programação secular, exibe conteúdo produzido pela Universal.
A influência de Macedo também se estende à política, com o apoio a diferentes presidentes ao longo dos anos e a ligação com partidos de peso no Congresso, como o Republicanos. A investigação no Digimais, portanto, não afeta apenas uma instituição financeira, mas lança uma sombra sobre a credibilidade de um dos mais poderosos líderes religiosos e empresariais do Brasil.
As acusações no Digimais repercutiram no setor bancário brasileiro, sendo comparadas ao escândalo do Banco Master, liquidado pelo Banco Central sob acusações de fraudar balanços. Essa similaridade levanta preocupações sobre a fiscalização e a transparência no sistema financeiro, especialmente quando instituições estão ligadas a figuras de grande influência.
A Operação Miragem e as suspeitas de fraude no Banco Digimais representam um desafio significativo para Edir Macedo e a Igreja Universal. A investigação da Polícia Federal, ao expor supostas manipulações contábeis e operações financeiras irregulares, coloca em xeque a integridade das práticas empresariais ligadas ao líder religioso. As consequências dessa apuração podem ir além do âmbito financeiro, impactando a imagem pública e a influência política de Edir Macedo, além de reacender o debate sobre a intersecção entre fé, poder e finanças no Brasil. O desdobramento dessa investigação será crucial para determinar a extensão das irregularidades e as responsabilidades dos envolvidos, com o potencial de redefinir a percepção sobre o império construído por Edir Macedo.
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