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Por: Rádio Plenitude
A Igreja Mundial do Poder de Deus, fundada pelo apóstolo Valdemiro Santiago, enfrenta mais um revés financeiro. A Justiça paulista determinou a penhora de um helicóptero pertencente à instituição religiosa para garantir o pagamento de uma dívida de aluguel. A decisão, proferida pela juíza Larissa Brauns Santos, da 6ª Vara Cível de Guarulhos, reacende o debate sobre a situação financeira de grandes igrejas evangélicas e o uso de bens de luxo em meio a dificuldades econômicas.
A medida judicial é resultado de uma ação de despejo iniciada em abril de 2019, na qual um administrador de empresas cobra da Igreja Mundial um débito de aproximadamente R$ 188 mil referente ao aluguel de um apartamento residencial em Guarulhos. A determinação inclui a averbação da penhora da aeronave junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o que significa que, caso a dívida não seja quitada, o helicóptero poderá ser levado a leilão.
O helicóptero alvo da penhora é um modelo Agusta A109E, fabricado em 2003, com capacidade para transportar sete passageiros. Embora o valor exato de mercado atual não tenha sido divulgado na decisão, um modelo similar foi leiloado há três anos por R$ 6,9 milhões, com uma avaliação original de R$ 10 milhões. Este dado ilustra o alto valor do bem que a Igreja Mundial possui, contrastando com as dívidas acumuladas.
A dívida que motivou a penhora, de cerca de R$ 188 mil, refere-se a aluguéis não pagos de um apartamento residencial. A Igreja Mundial do Poder de Deus não contestou a existência do débito no processo, mas solicitou um prazo de um ano para desocupar o imóvel, o que foi negado pela Justiça. O processo já transitou em julgado, ou seja, não há mais possibilidade de recurso em relação ao mérito da ação.
Após a decisão de despejo, a igreja chegou a firmar um acordo com o credor para parcelar a dívida em seis prestações. No entanto, o acordo não foi cumprido, levando à determinação da penhora do helicóptero como forma de garantir a execução do débito.
A Igreja Mundial do Poder de Deus, fundada por Valdemiro Santiago em 1998, em Sorocaba (SP), tem sido alvo de uma série de ações judiciais por dívidas nos últimos anos. Em diversos processos, a instituição tem alegado enfrentar sérias dificuldades financeiras, agravadas, segundo ela, pelo período da pandemia de COVID-19.
Em suas defesas judiciais, a Igreja Mundial argumenta que “todas as igrejas do Brasil foram compelidas a fechar as portas” durante a pandemia, o que resultou em uma “drástica diminuição da arrecadação, uma vez que os fiéis restaram impedidos de frequentar os templos”. Essa justificativa, embora compreensível em parte, não tem sido suficiente para evitar as determinações judiciais de pagamento de dívidas.
O histórico de problemas financeiros da Igreja Mundial inclui outras penhoras e bloqueios de bens. Em 2023, por exemplo, a Justiça de São Paulo já havia determinado a apreensão de um avião do apóstolo Valdemiro Santiago devido a uma dívida de R$ 21,4 milhões. Além disso, R$ 466 mil da conta da igreja foram penhorados para o pagamento de honorários advocatícios.
Esses episódios levantam questionamentos sobre a gestão financeira da instituição e a priorização de gastos, especialmente quando se observa a posse de bens de alto valor, como helicópteros e aviões, em contraste com as dívidas acumuladas e as alegações de dificuldades financeiras.
O caso da Igreja Mundial do Poder de Deus não é isolado. Diversas instituições religiosas no Brasil têm enfrentado problemas financeiros e ações judiciais por dívidas. A pandemia de COVID-19, com a restrição de cultos presenciais, impactou a arrecadação de muitas igrejas, que dependem das contribuições dos fiéis. No entanto, em alguns casos, as dívidas são anteriores à pandemia e refletem uma gestão financeira complexa.
O debate sobre a isenção tributária de igrejas e a transparência de suas finanças é recorrente no país. Enquanto a Constituição Federal garante a imunidade tributária a templos de qualquer culto, a acumulação de bens de luxo e as dívidas milionárias de algumas instituições geram discussões sobre a necessidade de maior fiscalização e prestação de contas.
A penhora do helicóptero da Igreja Mundial do Poder de Deus é um lembrete contundente de que, mesmo instituições religiosas, estão sujeitas às leis e às consequências de suas obrigações financeiras. A decisão da Justiça de São Paulo reforça o princípio de que bens podem ser utilizados para saldar dívidas, independentemente da natureza da entidade devedora.
Para a Igreja Mundial, a perda do helicóptero representa não apenas um prejuízo material, mas também um golpe na imagem da instituição, que tem sido criticada por seu estilo de vida luxuoso em contraste com a pobreza de muitos de seus fiéis. A situação pode intensificar a pressão sobre a liderança da igreja para uma maior transparência e responsabilidade na gestão de seus recursos.
O episódio também serve como um alerta para outras instituições religiosas sobre a importância de uma gestão financeira sólida e da conformidade com as obrigações legais. Em um cenário de crescente escrutínio público e judicial, a sustentabilidade e a credibilidade das igrejas dependem cada vez mais de sua capacidade de gerenciar suas finanças de forma ética e transparente.
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