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Por: Rádio Plenitude
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou oficialmente o uso do lenacapavir, uma injeção semestral desenvolvida pela farmacêutica Gilead Sciences, como nova ferramenta na prevenção da infecção pelo HIV. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (8) durante a Conferência Internacional sobre Aids, realizada em Kigali, capital de Ruanda.
A recomendação surge pouco mais de um mês após a aprovação do medicamento pela agência reguladora de saúde dos Estados Unidos (FDA), ampliando as opções de profilaxia para pacientes em risco e representando um avanço importante na luta contra o HIV, especialmente para populações vulneráveis e com dificuldades de adesão a tratamentos tradicionais.
“Embora uma vacina contra o HIV continue sendo difícil de alcançar, o lenacapavir é a melhor alternativa disponível no momento”, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.
Uma alternativa de longa duração
O lenacapavir pertence a uma nova classe de antirretrovirais conhecidos como inibidores de capsídeo, que atuam impedindo a replicação do vírus HIV dentro das células. Aplicado por injeção subcutânea a cada seis meses, o medicamento oferece uma alternativa de ação prolongada às tradicionais pílulas orais diárias, como a PrEP (profilaxia pré-exposição), que exigem adesão rígida para manter sua eficácia.
Em grandes ensaios clínicos realizados em 2023, o lenacapavir demonstrou uma eficácia de quase 100% na prevenção da infecção por HIV, gerando grande expectativa na comunidade médica e entre organizações de saúde pública.
A aplicação semestral pode representar uma revolução na abordagem preventiva, especialmente para indivíduos que enfrentam barreiras como estigma social, acesso limitado a serviços de saúde ou dificuldades em manter uma rotina de medicação diária.
Prevenção estagnada e desafios persistentes
O novo posicionamento da OMS ocorre em um momento crítico. Apesar de décadas de avanços, os esforços globais de prevenção ao HIV estão estagnados. Em 2024, o mundo registrou cerca de 1,3 milhão de novas infecções pelo vírus, número que preocupa especialistas e revela a necessidade urgente de novas estratégias.
Essas infecções continuam a afetar de forma desproporcional populações-chave, incluindo:
Profissionais do sexo;
Homens que fazem sexo com homens;
Pessoas transgênero;
Usuários de drogas injetáveis;
Pessoas privadas de liberdade;
Crianças e adolescentes em contextos vulneráveis.
Soluções integradas: além do lenacapavir
Além da recomendação do novo medicamento, a OMS também defendeu uma abordagem de saúde pública para o diagnóstico do HIV, baseada na ampliação do uso de testes rápidos e acessíveis. A ideia é eliminar obstáculos burocráticos, procedimentos caros e barreiras técnicas que ainda afastam milhões de pessoas do diagnóstico precoce e do início do tratamento.
A combinação entre novas tecnologias médicas e estratégias de acesso simplificado é vista como o caminho mais promissor para reduzir a transmissão e alcançar as metas globais de erradicação da epidemia até 2030.
Perspectiva futura
Embora ainda não exista uma vacina eficaz contra o HIV, a chegada de opções como o lenacapavir marca um ponto de inflexão. A expectativa da OMS é que os países passem a incorporar rapidamente o medicamento em seus sistemas públicos de saúde, com prioridade para populações de maior risco e regiões de alta incidência da doença.
A recomendação oficial pode acelerar processos regulatórios locais e facilitar a inclusão da droga em programas de saúde financiados por organismos internacionais.
“Trata-se de oferecer escolha, dignidade e proteção”, resumiu Tedros.
(Reportagem de Sriparna Roy em Bengaluru)
Fonte: Reuters
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