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Por: Rádio Plenitude
A Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) intensificam a investigação sobre a origem de quase R$ 500 mil em dinheiro vivo encontrados em um apartamento funcional usado pelo deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do Partido Liberal na Câmara dos Deputados. O caso, que veio à tona em dezembro de 2025 e teve novos desdobramentos em julho de 2026, levanta sérias questões sobre desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro, colocando o parlamentar no centro de um escândalo que abala o cenário político nacional.
A operação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), revelou inconsistências na justificativa apresentada por Sóstenes Cavalcante para a posse do montante. Enquanto o deputado alega que o dinheiro é fruto da venda de um imóvel, as investigações apontam para a possibilidade de uma tentativa de forjar documentos para dar aparência de legalidade aos valores, que podem estar ligados a um esquema maior de desvio de emendas parlamentares.
Em dezembro de 2025, durante uma operação da Polícia Federal, foram apreendidos R$ 468,7 mil em dinheiro vivo dentro de um guarda-roupa no apartamento funcional de Sóstenes Cavalcante em Brasília. O dinheiro estava guardado em sacos plásticos, e as notas, identificadas com etiquetas de bancos, levaram os investigadores a duas empresas administradas por irmãos. A análise da movimentação financeira desse grupo empresarial revelou mais de R$ 15 milhões em saques em espécie, levantando as primeiras suspeitas.
Questionado sobre a origem do dinheiro, o deputado Sóstenes Cavalcante afirmou que o montante era proveniente da venda de um imóvel em Ituiutaba (MG) ao advogado Thiago Ferreira de Paula. Ele justificou a não deposição do dinheiro em banco pela “correria” do trabalho parlamentar e assegurou que os valores tinham origem lícita e haviam sido declarados à Receita Federal. Sóstenes também se defendeu, alegando ser vítima de perseguição política por ser líder do maior partido de oposição na Câmara.
No entanto, a versão apresentada por Sóstenes Cavalcante não convenceu a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República. A investigação, que culminou em uma nova fase da Operação Galho Fraco II em julho de 2026, apontou diversas inconsistências:
O parecer da PGR é categórico ao afirmar que o dinheiro apreendido “carece de lastro documental idôneo que justifique sua posse e origem lícita”. A Procuradoria acrescenta que as linhas investigativas abertas para elucidar a procedência do numerário ainda apresentam lacunas, justificando a necessidade de novas diligências.
Além da investigação sobre a origem do dinheiro encontrado com Sóstenes Cavalcante, a Polícia Federal apura um suposto esquema de desvio de recursos da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP). Há indícios de que empresas de locação de veículos estariam sendo utilizadas para dar aparência de legalidade às despesas e ocultar a destinação de recursos públicos. Essa conexão sugere que o dinheiro encontrado no apartamento do deputado pode ser parte de um esquema mais amplo de corrupção.
O ministro Flávio Dino, ao autorizar a operação, destacou a gravidade da hipótese criminal, que “ganha contornos significativamente mais expressivos a partir do momento em que a investigação indica a possibilidade de que esses valores possam ser, ainda que em parte, fruto de peculato atribuído a deputado federal”.
Sóstenes Cavalcante não foi alvo direto da nova fase da operação em julho de 2026, mas a PF informou ao STF que os indícios encontrados, como os saques milionários em espécie e as dúvidas sobre a origem do dinheiro, justificam o aprofundamento da investigação. Os investigados no esquema podem responder por crimes como peculato, lavagem de dinheiro, fraude processual e organização criminosa.
O caso tem repercussões políticas significativas, especialmente considerando a posição de Sóstenes Cavalcante como líder do PL na Câmara, o maior partido de oposição. A defesa do deputado insiste na legalidade dos recursos e na tese de perseguição política, mas a robustez das evidências coletadas pela PF e PGR coloca o parlamentar em uma situação delicada.
A investigação da Polícia Federal sobre a origem dos quase R$ 500 mil encontrados no apartamento de Sóstenes Cavalcante é um teste crucial para a transparência e a integridade do sistema político brasileiro. As inconsistências na justificativa do deputado e as evidências de um possível esquema de desvio de verbas parlamentares exigem uma apuração rigorosa e imparcial.
À medida que a PF avança nas investigações, a sociedade aguarda respostas claras sobre a origem do dinheiro e a extensão do suposto esquema de corrupção. O desfecho deste caso terá um impacto significativo na credibilidade das instituições e na confiança dos cidadãos na classe política, reforçando a importância de mecanismos de controle e fiscalização para combater a corrupção e garantir a probidade na gestão dos recursos públicos.
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